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| Bairro de São Paulo terá aula de meditação em unidades de saúde |
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12/10/2003 PEDRO DIAS LEITE
Um projeto em São Paulo está treinando profissionais da área de saúde para dar aulas de meditação aos pacientes, como forma de prevenir doenças e auxiliar nos tratamentos. A idéia será testada em 19 unidades da rede pública na região da Lapa (zona oeste). O médico acupunturista Norvan Martino Leite, que está treinando a primeira turma, de 26 profissionais, explica que a intenção é que a prática de meditação "chegue lá na ponta, no dia-a-dia da pessoa". O serviço deve começar a partir do mês que vem. Sobre a meditação, o médico explica que "é uma técnica" que ajuda a enfrentar os problemas. "Você não vai sair voando." Para demonstrar os efeitos da prática, Leite cita um estudo feito nos EUA que aponta que os pacientes que meditam procuram os hospitais 57% menos do que os que não usam a técnica. Segundo o médico, o treinamento de profissionais que já lidam com os pacientes no cotidiano será um fator positivo porque "não é um estranho no ninho". Leite afirma que, assim, o profissional conseguirá "explicar a meditação na língua da pessoa". Leia abaixo trechos da entrevista. Folha - Quais os benefícios? Norvan Martino Leite - A meditação é muito importante no tratamento "coadjuvante" dos pacientes. Em todas as doenças em que há o envolvimento do estresse, como o infarto, o derrame. Também nos quadros de hipertensão arterial, de asma, de diabetes. Mas na sua prevenção, não no seu tratamento. Ela mexe em todo o metabolismo ligado ao estresse. Folha - E como a pessoa ensina o paciente a meditar? Leite - Temos algumas técnicas de meditação que são bastante simples. Temos a meditação sentada, a meditação andando, a meditação com mantra, a meditação com visualização. Então você tem várias técnicas que esse grupo de profissionais de saúde está aprendendo e aprendendo como ensinar à população. O que acontece com isso de benefício direto: primeiro, uma queda na medicalização (uso de remédios). Outra, a meditação facilita o contato entre o lado direito e o lado esquerdo do cérebro. O lado direito, intuitivo, aumenta o seu potencial de agir, fazendo com que o nível de percepção das pessoas fique maior. Então o enfrentamento no dia-a-dia dos seus problemas, das suas dificuldades, você vai conseguir olhar por perspectivas diferentes. Folha - O senhor pode descrever o que é a meditação? Leite - O processo de meditação, no Ocidente, é pensar em alguma coisa. É justamente o oposto. Mas a gente precisa tomar cuidado com o "pensar em nada", porque ninguém vai conseguir pensar em nada. A questão é não estar atrelado a um pensamento. Os pensamentos vão passar na sua mente e você não pode se ligar a eles. Como se fosse um grande céu azul, com as nuvens uma atrás da outra, passando. O que dificulta o ser humano é que ele não consegue ter foco e se perde nos pensamentos dispersivos. Muitas vezes nós já temos o recurso para resolver o problema e não enxergamos. Aí há o "insight". A meditação é um grande provocador de "insights". A frase correta é: ela "deixa a mente disponível para", tirando a dispersão. E aí você utiliza a mente. Folha - As pessoas ligam a meditação a um estado de iluminação. Leite - Existe a idéia de que a meditação só pode ser praticada por uma pessoa altruísta, um monge. Não. A meditação é uma técnica, que foi incorporada por todas as religiões. Ficar na frente do Muro das Lamentações é uma forma de meditação. Rezar o terço é uma forma de meditação, são todas maneiras de lidar com a mente. O que é iluminação? É conseguir ter a clareza de ver a realidade universal e a verdade pessoal. Folha - E no caso médico, como é? Leite - O ideal são 20 minutos ao dia, duas vezes. Mas é impossível para os ocidentais começar assim. Então nós usamos uma técnica, eu ensino meditação há seis anos. A gente começa meditando cinco minutos por dia. Meditar tem de ser uma coisa espontânea e boa. Vamos com esse processo até que a pessoa chegue a 20 minutos, duas vezes ao dia. O difícil é iniciar, mas depois a pessoa começa a sentir os benefícios. |
São Paulo ganha novos serviços de acupuntura
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Reportagem do dia 08.09.1999, Aureliano Biancarelli Espera ainda é de seis meses São Paulo ganha novos serviços de acupuntura AURELIANO BIANCARELLI da Reportagem Local São Paulo ganha neste ano dois novos serviços de acupuntura abertos à população. Um deles está sendo montado pela Associação Médica Brasileira de Acupuntura (Amba). O outro será instalado no Hospital do Servidor Público Estadual. Em junho passado, o Hospital do Servidor Público Municipal ampliou seus ambulatórios
de acupuntura e já está atendendo 3.500 pacientes por mês. Nos últimos dez anos, os seguidores dessa prática
que usa agulhas para curar doenças aumentaram em pelo menos 50 vezes.
O pronto-atendimento em acupuntura criado em outubro do ano passado no Hospital São Paulo seria o
primeiro do gênero no Ocidente, segundo Ysao Yamamura, chefe do Setor de Medicina Chinesa da Unifesp.
A procura pelas agulhas deve aumentar ainda mais nos próximos anos, prevê Ruy Tanigawa, presidente da Amba. É que em outubro será realizada a primeira prova de especialidade para médicos que desejam o título de acupunturista. Uma vez aceita como especialidade, a acupuntura passará a ser coberta pelos planos de saúde, o que até agora só acontece com poucas empresas. Segundo Tanigawa, há cerca de 6.000 médicos filiados à Amba e à Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura. A maioria deles trabalha em clínicas privadas. Nos serviços abertos à população, a fila de espera é de meses. "Mesmo aumentando em quatro vezes nosso atendimento, a fila de espera ainda é de seis meses", diz Norvan Martino Leite , responsável pelo Serviço de Medicina Tradicional Chinesa do Hospital do Servidor Municipal. O serviço, que já existe há dez anos, inovou em junho passado ao inaugurar um espaço para meditação dentro do hospital. O crescimento da acupuntura não deixa transparecer uma disputa acupunturistas médicos e não-médicos. Pelo Conselho Federal de Medicina, a terapia das agulhas é exclusividade médica. Os não-médicos, que vão de dentistas a fisioterapeutas e técnicos em acupuntura, estão pressionando para aprovar no Congresso uma lei que também dê a eles o direito de exercer a profissão. Serviços: Amba, tel. 0/xx/11/884-6499; Hospital do Servidor Público Municipal, tel. 0/ xx/11/278-2211, setor de acupuntura. |
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